terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Para todas as coisas: Dicionário (parte 1)

Semana passada foram publicados os novos números do Indicador de Analfabetismo Funcional (INAF), apontando queda de 9% para 7%, de 2007 para 2009 em nosso país.

Como eu não tinha muita ideia do que é, afinal, analfabetismo (ou alfabetismo) funcional, fui atrás para entender melhor. Encontrei as definições no site do INAF, e achei bem interessante, pois são conceitos que muitas vezes escutamos em reportagens e/ou notícias, bem como falamos, sem entender direito o que querem dizer. O INAF classifica a população brasileira de acordo com suas habilidades em leitura/escrita (letramento) e matemática (numeramento). No site constam as classificações que seguem:

Analfabetos funcionais
Analfabetismo -
Corresponde à condição dos que não conseguem realizar tarefas simples que envolvem a leitura de palavras e frases ainda que uma parcela destes consiga ler números familiares (números de telefone, preços etc.).
Alfabetismo rudimentar - Corresponde à capacidade de localizar uma informação explícita em textos curtos e familiares (como um anúncio ou pequena carta), ler e escrever números usuais e realizar operações simples, como manusear dinheiro para o pagamento de pequenas quantias ou fazer medidas de comprimento usando a fita métrica.

Alfabetizados funcionalmente
Alfabetismo básico -
As pessoas classificadas neste nível podem ser consideradas funcionalmente alfabetizadas, pois já lêem e compreendem textos de média extensão, localizam informações mesmo que seja necessário realizar pequenas inferências, lêem números na casa dos milhões, resolvem problemas envolvendo uma seqüência simples de operações e têm noção de proporcionalidade. Mostram, no entanto, limitações quando as operações requeridas envolvem maior número de elementos, etapas ou relações.
Alfabetismo pleno - Classificadas neste nível estão as pessoas cujas habilidades não mais impõem restrições para compreender e interpretar elementos usuais da sociedade letrada: lêem textos mais longos, relacionando suas partes, comparam e interpretam informações, distinguem fato de opinião, realizam inferências e sínteses. Quanto à matemática, resolvem problemas que exigem maior planejamento e controle, envolvendo percentuais, proporções e cálculo de área, além de interpretar tabelas de dupla entrada mapas e gráficos.

Além da queda já mencionada no início do post, o analfabetismo rudimentar vem apresentando queda, aumentando, portanto, o que o INAF chama de alfabetismo básico. O alfabetismo pleno não tem se alterado significativamente.

O que assusta um pouco é ver os dados em relação às diferentes escolaridades. No Ensino Superior, temos cerca de 1% de analfabetos funcionais (com analfabetismo rudimentar) e 31% de alfabetizados no nível básico. Se isto já é impressionante, ficamos tristes ao ver que ao finalizar as Séries Finais do Ensino Fundamental permanecem 10% de analfabetos absolutos e 44% de analfabetos rudimentares, em uma população de 15 a 64 anos.

A pergunta que fica (para mim, ao menos), é como modificar este cenário? Certamente não existem fórmulas mágicas para isso, fora as respostas clássicas de estímulo à leitura (que grande parte das escolas ainda não sabe como também), parece-me comum o estímulo e o hábito iniciarem em casa, com os pais. Mas como estimular a leitura em casa, quando grande parte dos pais também é analfabeta (ou quase)?

Perguntas que vão se acumulando sem muitas perspectivas de respostas… (suspiro)

Para todas as coisas: dicionário

Para que fiquem prontas: paciência

(Nando Reis, Diariamente)

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Livro: Parte 2

imagePara possíveis interessados, já está no site da EDUFAL o livro Escritos Metodológicos: possibilidades na pesquisa contemporânea em Educação, que eu citei alguns posts atrás (divulgado aqui).

Quer saber mais? Clique aqui!

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

VIII Jornadas Latinoamericanas de Estudios Sociales de la Ciencia y la Tecnología

Embora repetido do outro blog, sempre é bom divulgar eventos interessantes… Então, lá vai:

Recebi hoje a notícia de um evento que tem tudo para ser interessantíssimo… Além do tema ser de uma relevância ímpar para os Estudos da Ciência, é em Buenos Aires! O que sempre é um prazer reviver, reconhecer, reencontrar…

Abaixo as informações do evento:

Datas: de 16 a 19 de julho de 2010]

Tema do Evento: Ciência e Tecnologia para a Inclusão social na América Latina

Inscrição de Resumos até 27 de fevereiro de 2010 (tem tempo!!!), nos idiomas Português, Inglês, Espanhol e Francês.

Os resumos aceitos poderão enviar o trabalho completo até 15 de junho de 2010.

Temas para submissão de trabalhos:

1.Desafíos e historia de las políticas de ciencia y tecnología en los paises de Iberoamérica
2.Instituciones, disciplinas y campos de la ciencia y la tecnología
3.Tecnología, Innovación y Sociedad
4.Procesos de producción y uso del conocimiento científico y tecnológico
5.Participación de los públicos, comunicación y democratización
6.Los riesgos de la ciencia y la tecnología
7.Debates teóricos y metodológicos en el estudio social de la ciencia y la tecnología
8.Dimensiones internacionales de la ciencia y la tecnología
9.Educación CTS y Educación Superior
10.Las tecnociencias emergentes

Mais informações no site do evento e na primeira convocatória para submissão do trabalho.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Semana Nacional de Ciência e Tecnologia

Na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, nada mais oportuno para, de novo, lembrar quintana5das palavras de nosso estimado poeta Mário Quintana que sempre me fazem pensar na Ciência:

 

 

Das indagações

A resposta certa, não importa nada: o essencial é que as perguntas estejam certas

;-)

Quintana, Mário. Caderno H. São Paulo: Globo, 2003, p.54.

Foto retirada do site: http://br.geocities.com/marlidf/webquest/recursos.htm

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Lançamento de Livro

No dia 31 de outubro será lançado, pela Editora UFAL, o livro Bienal do Livro AlagoasEscritos Metodológicos:   possibilidades na pesquisa contemporânea em educação, na IV Bienal Internacional do Livro de Alagoas. O evento acontecerá entre os dias 30 e 8 de novembro, no Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso, MACEIÓ/AL.

Autores:

Taís Ferreira (organizadora)
Shaula Maíra Vicentini Sampaio (organizadora)
Maria Lúcia Castagna Wortmann
Karla Saraiva
Mirtes Lia Pereira Barbosa
Rodrigo Saballa de Carvalho
Ana de Medeiros Arnt (Sim, eu!)
Anelise Scheuer Rabuske
Fátima Hartmann

Iara Tatiana Bonin

George Saliba Manske

O livro organizado com muito empenho pelas minhas colegas de mestrado Taís Ferreira e Shaula Sampaio! E é também motivo de alegria o prefácio ser escrito pela Professora Maria Lúcia Castagna Wortmann, que (penso que falo por todos os colegas) foi uma das professoras mais importantes do Programa de Pós-Graduação em Educação (FACED/UFRGS) para todos nós, por nos apresentar os caminhos da pesquisa e das discussões no campo dos Estudos Culturais! (mas sem perder a ternura jamais!)

Espero que agrade, a quem interessar possa… Em breve em uma livraria perto de vocês!!!

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

As velhas ideias sobre as Novas Tecnologias…

As novas e velhas tecnologias continuam sendo discutidas e questionadas em âmbito escolar… Muitas escolas e professores seguem posicionando-se como vítimas de um mundo mais atraente, que torna os alunos desinteressados (de suas ma-ra-vi-lho-sas) aulas! Olhe só!

Telejogo - ConsoleNo tempo em que eu estava na escola já havia bastantes atrações fora da escola… E olha que o video-game que eu tinha era preto e branco na época!!! (De vez em quando essas coisas me denunciam…). Lembro-me bem quando tELEJOGO iieu e meu irmão ganhamos o Telejogo, ele vinha com três jogos – daqueles de palitinhos – que com imaginação fértil conseguíamos supor que eram futebol, tênis e o outro eu não lembro). Pois é, o telejogo já era atração o suficiente quando éramos crianças – meu irmão e eu. Além disso, claro, tinham as brincadeiras de carrinho, GI-Joe (sim, eu brincava de comandos em ação…), de pegar, de esconder, a bicicleta e, claro, o Lalo – nosso cocker-lata de plantão, sempre a postos para alguma brincadeira. Parece-me realmente que a escola era algo de segundo plano, nesta idade.

Hoje, como professora de professores não posso ficar falando estas coisas por aí, pega mal… (Ops!). Mas realmente intriga-me esta ideia de que a escola é refém de um mundo mais interessante. Primeiramente por a escola fazer (a princípio) parte deste mundo, segundo por poucos se interrogarem sobre se o que estão ensinando para estas crianças e adolescentes é realmente tão interessante e necessário assim moore.books (hmm, agora serei apedrejada: “mas e o CONTEÚDO!!! Temos que cumprir todo o CONTEÚDO!!!” Certo, será? Quem mesmo é responsável pelo estabelecimento do conteúdo? Ah, sim! A escola e o corpo docente… “Quer dizer que o que trabalhamos na escola é desnecessário????” Ora, se o aluno não aprende, me parece que sim…); enfim, voltando… Sigo questionando, em relação ao conteúdo, aos interesses, às estratégias didáticas, e todas as coisas mais que fazem parte da rotina escolar: qual é o nosso compromisso? Ou com o quê (ou com quem) é nosso compromisso? As vezes essa resposta aproxima-se mais do conteúdo do que do aluno.

François Dubet, sociólogo, discute na entrevista “Quando o sociólogo quer saber o que é ser professor”, algo que parece óbvio, mas não é – principalmente se entrarmos em qualquer sala de aula nos dias atuais: o aluno não gosta de ser aluno e não está disposto a tornar-se aluno sem luta! A escola é o preço que tem a pagar para viver com seus amigos (feições de espanto!). Por outro lado, o sociólogo aponta também as dificuldades de um trabalho que é – como alguns gostam de chamar – o eterno retorno, aquela cena conhecida, todas as aulas devemos recomeçar do zero, seguir uma rotina estafante e chata: chamada, pede silêncio, conteúdo, manda devolver o estojo roubado, exercício, mais silêncio, dúvidas? já falei, devolve o estojo do colega! (e não é? as vezes em pleno terceiro ano, rouba estojo, pega borracha, joga papel… Por menos do que dez reais a hora, em alguns Estados e escolas).

Tenho um colega que costuma dizer que não gosta muito de dar aulas, por isso inventa várias coisas diferentes para se divertir como professor. A ideia é mais ou menos essa… Se é tão fadigante e insuportável, qual mesmo é o motivo de nos mantermos ali? O que impressiona é realmente esse movimento de continuar na rotina, infelizes e frustrados (generalizações cruéis, mas enfim), lamentando-se de um mundo atraente – sim, até parece que se o mundo fosse sem graça, teríamos aulas legais, tsc, tsc…

Apenas para mostrar como este mundo atraente pode entrar na sala de aula, usando as ferramentas (que são as vilãs que roubam a atenção e interesse de nossos alunos), dois aliados bem legais. O primeiro é o bom e “velho” youtube, esse mesmo, que os alunos sabem usar muito bem e colocam vários vídeos, alguns de gostos bem duvidosos…

A Ciência Hoje está com cerca de 50 vídeos no youtube (vocês podem acessá-los clicando AQUI), alguns educativos, outros sobre a campanha “A Ciência pode ajudar”, outros sobre temas e curiosidades científicas. Eu, particularmente gostei muito deste abaixo (em homenagem ao meu amigo Diogo… Sorry Diogo, não achei nenhum em que os cupins “ganham”, rsrsrs)

O outro site, que eu também adoro (muitíssimo!!!) chama-se ARKIVE, e tem informações imagede vários seres vivos – grande parte britânicos, é verdade – mas muitos de nossos biomas também.  Grande parte dos vídeos são trechos de documentários da BBC, da Discovery e da National Geografic, e possuem uma qualidade excelente e estão disponíveis para download!

imageClaro que eu também tenho os meus preferidos! Em especial, nos links (tem que clicar na gravura, a esperta aqui não conseguiu colocar o vídeo aqui direto…sorry). Neste site, além de vídeos sensacionais, como estes dois que apresentei aqui, também há textos, imagens e uma série de outras informações, em inglês, claro, mas nada impossível de ser entendido.

Enfim, algumas dicas de bons usos dessas tais novas tecnologias, vídeos curtos (nenhum com mais do que 5 minutos) podem ilustrar a aula e torná-la um pouco mais interativa…

 

obs1: foto1 do Telejogo retirada do site: http://www.nowloading.com.br/wp-content/gallery/round-36/Telejogo%20-%20Console.jpg;

Obs2: Foto2: http://2.bp.blogspot.com/_i0pB1RSkr3I/SOZFlLttEnI/AAAAAAAAATo/W9Noo5Hnk-s/s1600-h/tELEJOGO+ii.bmp

Obs3: A foto dos livros eu não sei o site que retirei… Assim que achar o link, coloco os créditos.

sábado, 26 de setembro de 2009

Sobre a tão falada inclusão…

Mesmo correndo o risco de ser criticada e de que alguém não goste do que aqui esteja escrito, resolvi (e quem me conhece sabe que seria impossível outra decisão) falar brevemente sobre a questão da inclusão, sem qualquer compromisso de grandes verdades e grandes-qualquer-coisa-que-se-espere-de-quem-decide-falar-sobre-isso.

Nesta semana estava vendo o jornal local, aqui do Mato Grosso, librasque falava de um curso de LIBRAS para qualquer interessado, embora seja claramente destinado a professores da Escola Básica, pelo que indicou a reportagem.  O curso de Libras é uma promoção da Secretaria Municipal de Educação de Várzea Grande (SEMEC) e da Secretaria Estadual de Educação do Mato Grosso (SEDUC).

O que me chamou atenção na reportagem, na verdade, foram as entrevistas com crianças surdas e não-surdas que estudavam juntas, em uma escola que contava com intérpretes. As crianças diziam estar contentes pela oportunidade de conviver com esta diferença e aprender com ela. Ao mesmo tempo, as crianças não-surdas também contavam como aprendiam com seus colegas surdos, em especial a falar a linguagem de sinais, o que possibilitava a comunicação em sala, entre todos os alunos. A turma que participou da reportagem devia estar na faixa dos 10 anos de idade.

Sempre que na universidade o tema da inclusão vem a tona, grande parte dos comentários é de muita insegurança em relação à diferença. Eu particularmente nunca tive alunos surdos, ou com qualquer outra ‘necessidade especial’. Já fui colega de duas pessoas surdas, durante o Mestrado e agora no Doutorado e, também, já orientei uma estagiária que teve quatro alunos surdos.

A minha maior dificuldade com meus colegas da pós-graduação é que sou demasiadamente curiosa e distraída… É claro que ficava tentando entender a comunicação entre o intérprete e meus colegas, mais do que prestando atenção na aula!

Em relação a minha aluna, o problema maior foi de comunicação com seus alunos. A intérprete nem sempre entendia do que a estagiária estava falando – não conhecia, nem compreendia, por exemplo, os termos específicos da Biologia – isso acabou dificultando o trabalho de minha estagiária, pois, além de tudo, ela demorou para perceber que estes alunos estavam recebendo informações diferentes do que aquelas trabalhadas por ela.

Em ambos os casos, outra questão se estabeleceu, a comunicação, via de regra, é com um intérprete. Ao falarem em sala de aula – para perguntar algo, ou exporem suas ideias – direcionavam o corpo, os olhares ao/à seu/sua intérprete, que nos traduz o que está sendo dito pelos sinais. A estranheza está em não termos um contato visual com quem está falando, supostamente, conosco.

A estagiária que orientei teve grande dificuldade para lidar com essa forma de comunicar-se, eu, tampouco, consegui auxiliá-la nesse aspecto, pois a situação também era nova para mim.

Sempre que os estudantes da licenciatura falam sobre o tema, surpreende-me a dificuldade em aceitar que nós tenhamos alunos com tais diferenças em sala de aula. Não raras vezes escutei: “não seria melhor que eles estudassem em escolas especiais e aprendessem a viver com a sociedade?”; “mas se dermos aula assim, não faremos nossos alunos de cobaia, já que nunca aprendemos a lidar com essas diferentes formas de aprender?”

Quanto a primeira pergunta, julgo que a própria reportagem a responde: como vamos ensinar um grupo (nomeado como “eles”, sempre marcando a diferença a “nós”, os “normais”, a “regra”, aqueles que podem avaliar sobre qual a melhor saída, juntarmo-nos a “eles” ou deixar cada um no seu canto, aprendendo a viver juntos em sociedades que tem escolas separadas…) a viver na sociedade, se não estamos habituados a vê-los na mesma, vivendo e atuando ‘como qualquer um’? As crianças da reportagem falam tudo em poucas palavras: aprendem a conviver e a se comunicar com pessoas que falam e se comunicam de outra forma, e tomam aquilo como cotidiano e tranquilo em suas vidas. Será que a nossa (me incluindo nisso) dificuldade em lidar com essa diferença não vem exatamente da falta de convivência com ela? Ora, me parece claro que esta separação em ‘escolas especiais’ apartava populações ditas, nomeadas, ‘normais’, dos ‘outros’ – os surdos, cegos, cadeirantes, e qualquer outra característica classificada como deficiência. Termo esse (deficiência) também que remete a algo faltante em relação a um padrão, quando não nomeado como deficiente, chamado de portador de necessidades especiais (e tem alguém que não tem nenhuma necessidade particular? Seremos todos – os normais – dotados de brilhantes características que não precisam de atenção particular nenhuma? Enfim, questões que sempre me ocorrem ao falarmos de algo especial).

Por outro lado, a pergunta de meus alunos (sobre tratarmos os alunos – os deficientes, ou portadores de necessidades especiais, ou qualquer outro nome dado a eles – como cobaias) remete a ideia de que somos, de fato, formados para tratar com a população ‘normal’, e que após um curso de graduação estaremos prontos para lidar com qualquer tipo de criança ‘normal’, mas não com as outras. Sim! A graduação deve nos formar para lidar com a Educação Básica, com o cotidiano da escola, com situações rotineiras. Talvez a pergunta devesse ser: não deveria ser comum, rotineiro, cotidiano, a convivência com a diferença? Ou também: sendo este um período transitório, em que estamos iniciando um processo de inclusão, percebendo como se dá esse processo, entendendo como as relações entre as crianças e estas com os professores se estabelecem, não é de se esperar um momento de incerteza, de inseguranças?

Ainda nesta linha de perguntas, existe alguma certeza em relação a Educação e ao ‘modo certo de agir’? Quando vejo as críticas sobre as dificuldades e ‘as coisas que não dão certo’ na prática, e na teoria são lindas, sempre vislumbro as críticas vindo de pessoas que possuem soluções mágicas para um cenário irreal, com pessoas delineadas no papel com perfeição, mas que não existem no cotidiano de uma instituição de ensino.

Em suma, post longo, sem muitas conclusões (e quem precisa delas?), para variar. De qualquer modo, voltando à reportagem citada inicialmente, e aos cursos oferecidos pelas Secretarias de Educação, parecem ser um modo de minimizar as diferenças em sala de aula, bem como um jeito de nós – professores – consigamos nos comunicar melhor com nossos alunos, sem a necessidade de intérpretes. Simultaneamente a isso, na minha visão, mostra nosso interesse e respeito à diferença, e a possibilidade de aceitá-la e de conviver com ela!

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

ENEM 2009

Foi divulgado há duas semanas o simulado do ENEM 2009. A minha área – Biologia – se inclui no campo das Ciências Naturais e suas Tecnologias.

Resolvi fazer a prova, me saí razoavelmente bem, errei a questão nº 1 e nº 7 – que envolviam conhecimentos de física – me enrolei um pouco na questão nº 5 (aquela coisa, li várias vezes, não entendi, li mais outras várias vezes, aí, achei que tinha entendido, consegui acertar, mas foi penoso) e, na questão nº 9 acertei – mas foi um daqueles chutes dirigidos, fiquei entre duas (letras “b” e “c”)… Só depois de acertar fui ver como fazia a conta e entender o motivo do meu acerto (que por ser chute, intelectualmente não conta, mas passaria na prova… rsrsrs)

Em termos gerais, achei a prova melhor do que a maioria dos vestibulares que conheço por aí. As questões são longas, precisam de atenção e, certamente algo que falta para muitos concorrentes, de leitura. Hábito de leitura é extremamente importante para a realização de uma prova como esta – como de muitas provas de vestibular. Por quê? Muito simples! Em um tempo em que ao ler uma página, por vezes, nos sentimos fadigados, com vontade de ligar um som, ou a televisão, pois “fizemos demais”, quem tem como costume a leitura, leva vantagem! Além disso, já dizia o neurobioquímico Iván Izquierdo, “ler ainda é o melhor exercício para o cérebro”, não há nada que estimule mais (e, portanto, que substitua) a leitura.

Pois bem, feita a prova, tomei uma decisão: incluir no programa da disciplina de Estágio Supervisionado. Ora, meus alunos se formarão professores, não é importante que entendam o novo modelo de avaliação, elaborado pelo MEC? É preciso que os novos professores deem-se conta dos novos rumos da educação.

Conhecimentos mais integrados (à sociedade e a outros conhecimentos), rompimento da tradição fragmentada de conteúdos e conhecimentos contemporâneos apresentam-se como a nova tendência. Uma discussão que se faz há pelo menos duas décadas, começa a se fazer presente em outras esferas e – por mais paradoxo que pareça – uma prova aproxima-se deste longo debate. Esperemos que isso não seja apenas uma nova moda a ser seguida, mas sedimente-se como possibilidade de trabalharmos saberes vinculados à nossa cultura, e não mais como desconexos e maltrapilhos resumos de cursos de Ensino Superior!

Para saber mais acesse:

Matriz Enem 2009

Como cada Universidade Federal usará o ENEM 2009

Simulado ENEM 2009

domingo, 26 de julho de 2009

Amigos meus…

[Aviso: Há quem defenda que cultura não mais pode ser entendida apenas como “o que de melhor é produzido, nas artes, pelo ser humano”, mas sim como prática vivenciada no cotidiano… Assim, se é necessário justificar – apenas para leitores eventuais que se identificam com o tema do blog e estão pensando “que raios está escrito aqui!”, este post é pessoal, mas fala também de cultura, pois trata de vivências e experiências cotidianas – minhas com outras pessoas…]

Estas duas semanas foram intensas, bastante trabalho, planejamentos, reviravoltas. Apesar do tempo passando com pressa, das tarefas por fazer, dos compromissos batendo na porta, existia algo mais importante para ser vivido: um tempo com amigos que estavam de partida.

Entre comentários estranhos nos corredores - “é verdade que vocês perderam a amiga?” – e conflitos pessoais por não desejar a distância inevitável, mora a esperança de uma nova vida, mais feliz com o caminho escolhido por esses dois amigos – que, não!, não perdemos!, apenas passamos a morar algumas milhas mais distantes. Em um mundo dito pós-moderno, em que tempo e espaço parecem cada vez menores, e cada vez mais temos tecnologias para nos comunicarmos, isso parece ser vivido de modo mais simples – mas não menos doloroso. Quem mudou-se para este confim que vivemos agora, sabe que é fácil se comunicar, mas não se abraça fotos e o beijo mandado por telefone ou figurinhas em programas de computador não são sentidos da mesma maneira que no dia-a-dia.

Apesar de planejarmos a despedida repetidas vezes, na sexta à noite cada amigo próximo foi marcando, como ao acaso, passar em nossa casa – onde nossos amigos estavam hospedados nesta semana – para um abraço antes da partida… Eis que surge a ideia de um café da manhã, claro! Afinal, ninguém pode pegar estrada de barriga vazia!!! Foi animado, rimos com as “piadas internas” – aquelas que somente quem vive junto entende e acha graça – e choramos com elas também, ao nos darmos conta de como estes três anos juntos fizeram de nós um grupo raro, de gente que se gosta e se respeita, que é feliz junto, se fez família no coração – aquela família que a gente escolhe, a dedo, e é obrigado a conviver por amar e não saber viver sem. Bem… teremos que aprender!

Tirei uma foto, de nossa despedida, minutos antes deles saírem.despedida Todos com uma cara meio amassada, vermelha de chorar, ainda choraríamos mais, antes de um abraço coletivo na saída. O dia ainda nos reservou surpresas, nossos MMs partiram, deixaram nossa vida um pouco mais triste, mas em uma manhã mágica, excepcionalmente fria, para lembrar o destino da dupla, celebramos a amizade, choramos a distância e confortamos os corações, na certeza de termos mais um lugar para conhecer e visitar.

Para eles (e para nós), dedico a canção

Amigos meus

Amigos meus, está chegando a hora
Em que a tristeza aproveita pra entrar
E todos nós vamos ter que ir embora
Pra vida lá fora continuar

Tem sempre aquele
Que toma mais uma no bar
Tem sempre um outro
Que vai direitinho pro lar

Mas tem também
Uma sala que está vazia
Sem luz, sem amor, sombria
Prontinha pro show voltar

E em novo dia
A gente ver novamente
A sala se encher de gente
Pra gente comemorar

(Vinícius de Moraes e Toquinho)

sábado, 4 de julho de 2009

Posso usar os textos deste blog?

Quais as condições para usar os textos deste blog?

Os textos deste blog estão licenciados pela Creative Commons Brasil. Desse modo, tudo pode ser usado, desde que seja dado crédito de autoria, da forma abaixo especificada:

Atribuição. Permissão para que outras pessoas copiem, distribuam e executem sua obra, protegida por direitos autorais – e as obras derivados criadas a partir dela – mas somente se for dado crédito da maneira que você estabeleceu.

Uso Não Comercial. Permissão para que outras pessoas copiem, distribuam e executem sua obra – e as obras derivadas criadas a partir dela – mas somente para fins não comerciais.

Não à Obras Derivadas. Permissão para que outras pessoas copiem, distribuam e executem somente cópias exatas da sua obra, mas não obras derivadas.

Creative Commons License

sábado, 13 de junho de 2009

Vacinas rápidas e doenças cotidianas

Por que será que isso não é espanto?

h1n1 e vacina

Dúvidas, dúvidas…

Enquanto o mundo preocupa-se loucamente com a gripe suína, (no Brasil, dia 10 foram confirmados 43 casos de infecções e 45 suspeitos), muito embora não ignore a importância do tema, ainda mais vendo sua disseminação no mundo, aqui no nosso estimado país se esquecem de doenças que vem, definitivamente, assolando a população e, pasmem, enchem hospitais e afetam uma grande massa (de gente) produtiva (também!)…

Quer um exemplo? Ora! A dengue este ano vem batendo recordes em vários estados brasileiros… Em alguns, os casos de morte por dengue hemorrágica batem os casos de infecção de gripe suína no Brasil. No entanto, isso parece não merecer tanto destaque nas mídias televisivas, ao menos. Em jornais a dengue ainda tem tido espaço para informações e divulgação.

Não quero desmerecer a importância da divulgação e acompanhamento da gripe suína, mas muitas vezes parece que algumas doenças, por fazerem parte de nosso cotidiano, acabam ficando em segundo plano quando, exatamente por estarem entre nós constantemente, necessitariam de um esforço ainda maior de contenção e educação (e olha que não é pouco o que fazem, de modo algum… Não é pouco, mas ainda não é o suficiente também…).

Mais notícias sobre a dengue no país? paraná saúde O Paraná concentra 93% dos casos da doença no sul do país (12/05/2009), na Bahia, mais de 55 mil casos registrados um aumento de 220% em relação ao ano passado (27/04/2009), no Espírito Santo 14 pessoas já faleceram (17/04/20mt contra dengue09).

Já no Rio de Janeiro, 567 casos confirmados e suspeita de 6 mortes (em fevereiro!!!), em Belo Horizonte os casos confirmados subiram, em uma semana, 34%, no mês de abril. Aqui no Mato Grosso, 24.922 casos da doença, sendo 1094 de hemorrágicas, com 33 mortes.

Enquanto isso, no site do Ministério da Saúde, as informações mais portal da saúde federal recentes sobre a doença – logo ao entrar na área específica de Ações e Programas são os índices epidemiológicos de 2006 e 2007 (!!!), ao clicarmos no link para ter mais informações, no texto explicativo da doença, lá no final, tem alguns números, sobre o aumento dos casos de 2003 a 2004! Informações recentes e que dizem muito sobre o panorama atual da dengue.

Por hoje é só pessoal… Ideias desvairadas de uma mente preocupada…

domingo, 7 de junho de 2009

BIOTA

Resolvi fazer uma propaganda (hmmm, que feio..) do I Ciclo de Estudos em Biologia de Tangará da Serra, o BIOTA, que acontecerá na semana entre 31 de agosto à 4 de setembro, apesar de ser o primeiro ciclo (de muitos), haverá participação de professores/pesquisadores de várias universidades do país! Quer participar? Quer saber mais? Então acesse: http://biota.nectar.bio.br

Em breve as inscrições (para trabalhos e participação) estarão abertas!

Obs: este evento é uma realização do Departamento de Ciências Biológicas, do Campus Tangará da Serra, da Universidade do Estado de Mato Grosso.

Dia Mundial do Meio Ambiente

Neste último dia 5 de junho foi dia Mundial do Meio Ambiente. Para celebrar este dia o Curso de Ciências Biológicas, da Universidade do Estado de Mato Grosso, campus Tangará da Serra, organizou pequenas atividades a fim de lembrar que é função de todos cuidar da nossa casa e, também, do que está ao nosso redor.

mutirão do lixo

Assim, fizemos um mutirão de limpeza de todo o campus com estudantes dos cursos de Ciências Biológicas, Enfermagem, Agronomia e Administração em Agronegócios, que juntou (e isso não é uma boa notícia) um caminhão de lixo. Os alunos da Biologia e Agronomia percorreram os arredores da universidade, incluindo os experimentos e a sede campestre. Já os cursos de Enfermagem e Administração ficaram responsáveis pelo mutirão dentro da universidade (salas, corredores, cantina, etc.)

Também distribuímos sementes na estrada BR-358, que
Distribuição de sementes1
passa na frente da universidade. As sementes eram de quatro espécies de árvores, a Farinha seca ou guarucaia (Peltrophorum dubium), Pinho cuiabano (Schizolobium amazonicum), Pau-de-rosas (Physocalymma scaberrimum) e Jequitibá (Cariniana rubra). As sementes foram distribuídas em saquinhos (de papel!) com informações sobre as árvores, tais como tamanho, floração, plantio, além dos nomes científicos, polulares e a família que pertence cada uma dessas espécies.

pacote sementes pqno

Foi uma manhã bem quente e atribulada… No total distribuímos cerca de 600 saquinhos de sementes, num calor típico aqui do Mato Grosso (sim, estava friozinho até dia 4… No dia 5 já acordamos com um calor escaldante, que só foi aumentando com o passar da manhã… Ainda mais naquele agradável asfalto da rodovia). Naqueles momentos de muito calor, lembrávamos um pouco dos motivos de nossa ação: sombra e conforto térmico, proporcionados por nossas estimadas árvores, sempre são bem vindos em um estado seco e quente como este!

De qualquer modo, mesmo com críticas comuns (sempre as mesmas coisas? quer diferente, venha, sugira e organize, ora essa!!!) e atrapalhações de marinheiras de primeira viagem ao organizar atividades como essas, o saldo de nosso dia foi legal! Sempre é proveitoso chegar ao final do dia e ver o que de bom podemos tirar de algo que elaboramos e pensamos e os efeitos surgidos daí!

Obs1. As fotos são de minha autoria. Na primeira foto os meninos que ajudaram a colocar o lixo no caminhão; na segunda as meninas distribuindo sementes na estrada e a última foto o saquinho de sementes com as informações (escritas por mim, mas com supervisão da Professora Celice, claro… hehehe);

Obs2. A organização do evento foi composta pelas professoras Alessandra Butnariu, Monica Blauth, Celice Alexandre Silva e Ana Arnt (eu!) com participação, também, da professora Edenir Serigatto e do professor Diogo Costa.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Sobre este blog

A ideia para começar este blog surgiu da necessidade de escrever e pensar sobre as questões levantadas por meus alunos da UNEMAT e participantes do NECTAR, em conjunto com a urgente e demasiada ânsia de ter um espaço meu, para a divulgação, as discussões, os pensamentos (as elocubrações de uma mente desvairada) e os escritos produzidos a partir dos meus estudos no campo dos Estudos Culturais e dos Estudos em Educação em Ciências. Enfim, um lugarzinho que eu posso falar, pensar alto, poluir um pouco mais o mundo com informações, rsrsrs...
Entrem e fiquem a vontade!!!

sábado, 16 de maio de 2009

Falando de estrelas…

Nesta semana recebi um convite de meu colega Eduardo Bessa para participar da blogagem coletiva sobre “LUZ”, promovido pelo Scienceblogs Brasil, fiquei matutando alguns dias sobre o que falaria a respeito… As ideias não acontecem assim, tão naturalmente como parecem depois do texto pronto e acabado!

Entrei no meu blog, fui ler as postagens antigas, olhar uma ou outra coisa para ver se tinha algum lampejo mais interessante para traçar as maltratadas linhas!

Eis que me deparo com o post d e duas semanas atrás, em que fiz uma breve referência aos 15 anos sem Mário Quintana! Mas qual a relação entre o estimado autor gaúcho e a luz?

Naquele dia eu estava sem meus livros de poesias de Quintana, acabei sem colocar nada dele para “ilustrar” meu post. Pois bem, não é que Quintana eventualmente escrevia sobre ciência e objetos científicos e, dentre toda sua produção, um tema sempre se destacou para mim, como bióloga e alguém interessada nos assuntos que mostram o lado bonito da ciência (sim! Acredite! Existem explicações científicas liiiindas! Incluindo a que apresentarei a seguir!)

Sempre gostei de entender e estudar as constelações e explicações da Física e de diferentes culturas sobre a presença das estrelas e suas influências em nossas vidas… Muito chamou-me a atenção quando fiquei sabendo que olhar as estrelas é olhar para o passado!

Como assim? Ora! Aprendi, em determinado momento da vida (sinceramente não sei se foi na escola, ou lendo por aí), que aquilo que vemos no céu, a luz das estrelas, demora muitos milhares de anos para eagleend_hstchegar em nosso planeta! Quando lemos que uma determinada estrela, que compõe esta ou aquela constelação, está distante de nós por milhares de anos-luz (vamos falar, hipoteticamente, 20 mil anos-luz), isso quer dizer que, considerando a velocidade da luz no espaço, nós conseguimos enxergar a luminosidade dessa estrela 20 mil anos depois.

Ainda não ficou claro? Bom, vamos com calma. “Anos-luz” é uma medida espaço-temporal. Assim, se nosso objetivo é alcançar um objeto que se encontra a um ano-luz de distância, isto quer dizer que se “andarmos” na velocidade da luz, no vácuo (como no espaço, por exemplo), demoraremos um ano para chegar até este objeto (um planeta, uma estrela, um meteoro, etc.) Desse modo, a luz de uma estrela que está a 20 mil anos-luz da Terra demora 20 mil anos para chegar até nós, afinal, a “luz” anda na velocidade da luz, no vácuo (com o perdão do infame trocadilho!).

Voltando à ideia de olhar as estrelas é ver o passado, se a luminosidade desses pontos brilhantes demora tanto tempo para chegar na Terra, quer dizer que estamos, ao mirarmos o céu, observando algo que foi emitido (uma luz) há muitos milhares de anos atrás! Assim, os acontecimentos que são estudados na Astronomia são todos pretéritos, já ocorreram e, mais do que isso, cada estrela – ou nascimento, ou morte de estrelas, como vemos as vezes ser noticiado – são episódios de momentos diferentes, pois estão em distâncias distintas em relação ao nosso planeta! Não somente contemplamos o passado, mas passados diferentes! Não é interessante? O nosso tempo – o tal presente – ser vivenciado por nós com algo que já aconteceu em outro espaço e somente agora nos chegam notícias?

Também é pertinente pensar nessa questão da Astronomia ser uma ciência que estuda o passado, de alguns objetos, mas que dizem respeito de nossa vida atual!

E, com isso, retorno à motivação inicial deste post, relacionada ao estudo das estrelas e a presença (pretérita ou imediata) delas em nosso cotidiano: as poesias de Mário Quintana!

A primeira poesia eu recordei-me em função dessa questão do que é passado, e do objeto científico, sem, obviamente, desmerecer o trabalho dos pesquisadores, já vou logo avisando! Mas é uma provocação, sim, a esse trabalho por vezes muito técnico e sem a poesia necessária que torna a vida tão mais bonita (inclusive este poema é a epígrafe do meu primeiro capítulo da dissertação de mestrado!). A segunda poesia é epígrafe do dia-a-dia, da rotina mesmo, para lembrar que sempre tem algo a mais por aí…

As Três Marias

As únicas estrelas que eu conheço no ceú são as Três Marias. Três Marias é um apelido de família… O nome delas é outro, sabem como é a coisa: um desses nomes roubados a mitologias ultrapassadas, com que costumam exorcizar as estrelas. Uns nomes que já nascem póstumos…

Só o que eles sabem é enumerar, mapear, coisas assim – trabalho apenas dignos de robôs.

Olhem, Marias, acheguem-se, escutem: – Vocês foram catalogadas. Ouviram bem? Ca-ta-lo-ga-das! O consolo é o povo, que ainda diz ignorantemente: “Olha lá as Três Marias!”

(Mário Quintana, A vaca e o Hipogrifo, 1979, p.25)


Das Utopias

Se as coisas são inatingíveis… ora!

Não é motivo para não querê-las…

Que triste os caminhos, se não fora

A presença distante das estrelas!

(Mário Quintana, Poesias, 1975, p.112)

P.S.1: Foto retirada de: http://antwrp.gsfc.nasa.gov/apod/ap061022.html

P.S.2: Já não é mais dia 15/05/2009, aqui no Mato Grosso, quando eu terminei de escrever… O combinado era até dia 15, mas falando em distância e toda essa bagunça de tempo-espaço, anos-luz, presente e passado… Achei que não teria tanto problema! Em algum lugar do planeta ainda é dia 15 de maio e, quem sabe, ainda está até dia claro, assim, bem iluminado pela “nossa” estrela: o sol!

Update: somente depois de inserir o meu post, vi que tinha um post no Scienceblogs Brasil, n-Dimensional, sobre a luz das estrelas e a velocidade da luz no vácuo, leiam, obviamente está bem mais explicado do que o que eu fiz...

Abaixo, a propaganda da blogagem coletiva do Scienceblogs Brasil (estão bem legais as postagens por lá, bem diversificado e interessante! Mas sem as poesias do Mário Quintana)

terça-feira, 5 de maio de 2009

Mário Quintana: poesia e encantamento…

Já se vão 15 anos sem o poeta que encanta a todos! Não é dia para ter festejos, mas recordações… Porto Alegre (e Brasil) não seria a mesma sem nosso estimado escritor que tornou a vida de todos mais leve, feliz, mas não sem crítica e um pensamento atento ao cotidiano… Poeta da rotina, dMario quintanaas experiências ordinárias, do que é comum, sem, no entanto, cair no usual. Quintana é um autor que continua a nos fazer pensar nessas pequenas coisas do dia-a-dia!

Ao iniciar um trabalho acadêmico eu comumente busco inspiração em Quintana, seja para minha dissertação de mestrado ou algum artigo para revistas e congressos. Ele faz parte do meu pensar, como professora e bióloga, como pesquisadora acadêmica, como pessoa!

Deixo, então, minha terna lembrança, a este querido poeta gaúcho, que tanto contribuiu (e contribui) com a cultura brasileira…

sábado, 2 de maio de 2009

Gripe Suína?

 

Alardes por todos os lados, pânico generalizado, dúvidas e mais dúvidas… Será mesmo uma (nova) pandemia? Quem é, afinal, essa tal de pandemia? Não será tudo isso mais uma grande sacada da indústria química? Oh! E agora! Quem vai nos responder???

porco transgênicoEu não, já aviso de antemão… Não pretendo responder absolutamente nada! Mesmo sem essa pretensão, fiz algumas visitas a blogs e jornais para me inteirar do tema. Primeiramente porque, como bióloga, mesmo que afastada de assuntos da ciência propriamente dita – atuando mais como professora e formadora de professores – sempre tem alguém na família ou grupo de amigos que vem com a famosa: “tu que és bióloga, me explica!”. Bem, fui atrás, então, de algo interessante sobre o tema.

Encontrei, obviamente, muitas coisas! Números contraditórios, posicionamentos exacerbadamente alarmistas, outros conservadores em demasia. E aí? O que fazemos? Corremos à próxima farmácia? Compramos máscaras? (Viajei de avião neste feriado, tinha gente de máscara nos aeroportos – não sei se pessoas provenientes de outros países, ou com medo, ou as duas coisas…). Nos trancamos em casa? Mais dúvidas. Por mim, deixa-se rolar, atento às notícias, dando descontos aos dois lados… Os números se apresentam ora muito otimistas, ora nos colocando na beira do precipício. Cautela com todas as tendências é interessante nestes momentos. Em breve, inclusive, devemos assistir a mais um filme de pandemias horrendas em algum cinema perto de nós, como na época do ebola (com os estadunidenses salvando o mundo, claro… O que seria de nós sem eles).

Bem, como disse, fiz esta pesquisa e resolvi reuni-las aqui, no caso de alguém que porventura leia este blog queira dar uma olhada. É bom esclarecer, antes de ir listando os links, que estes são alguns blogs que considero sérios e jornais que eu também penso serem do que eu julgo possíveis de serem lidos (dentro do meu entendimento de sério e possível de ser lido, claro… Entendam como quiserem… CRI-CRI-CRItico sempre, sou pé atrás, penso ser tudo razoavelmente sério, inclusive em relação à mim mesma). DIto isso, passemos ao que interessa.

No scienceblogs há uma série de posts sobre o tema, com variadas discussões. Em Brontossauros em meu jardim, Carlos Hotta fala um pouco sobre os números, depois os questiona, atualiza dados e discute um tanto sobre o que é pandemia. No blog Chapéu, Chicote e Carbono 14, escrito por Reinaldo Lopes, há uma produtiva discussão acerca da gripe suína e do modo de vida humano, falando, também, do livro Germes, armas e aço. Talvez o melhor debate que eu tenha lido em toda essa empreitada. Já Ecce Medicus, de Karl, vai falar dos planos de contenção da doença e da epidemia que nos assola (não a Gripe, mas o fenômeno gripe).

Além destes blogs, fui olhar nos jornais. Para ser bem honesta, olhei no jornal Folha de São Paulo (que gosto muito) e nas traduções que eles fazem (Le Monde; El País; Finantial Times). Também encontrei muita informação. Novamente, vale lembrar que devemos temperar tudo o que se lê. Da quantidade de casos notificados pela OMS, passando por uma discussão altruísta sobre compartilhamento de vacinas no mundo, pela falta de preparo sobre nossa incapacidade de passar por crises e pela falta de respostas às perguntas, chegando às questões de como o vírus apresenta alta difusão, mas baixa mortalidade, as notícias mostram-se diversas, com temas interessantes para aprendermos mais sobre do que se trata a tal suposta pandemia (embora pouco se explique quem mesmo é essa tal), ou somente para sabermos dos últimos números e países ‘atingidos’.

Informações a parte, como este, também, é um blog de educação, é fundamental marcar como estes episódios são de suma relevância para fugir do usual e trazer informações para a população em geral, através dos alunos da Educação Básica. Esse tema pode envolver planejamentos interdisciplinares, tratando de Geografia, História, Biologia, Química, dentre outros temas. Fugir do conteúdo? Ora! Não me parece fugir, quando é algo que faz parte de nossa vida. Sempre digo que nosso compromisso não é com o conteúdo (e sua quantidade), mas com o aprendizado dos estudantes. Não há algo melhor para isso, do que tratar de um tema altamente discutido na mídia, alardeado por todos os lados.

Apenas para citar um exemplo (não procurei muito por outros… Me deem um desconto, é feriadão!) a Revista Nova Escola incluiu em seu site um planejamento com o tema, vale a pena dar uma olhada!

Como disse, não pretendi responder nada (àqueles que perguntaram). Mas apresentar alguns textos e reportagens sobre o tema, que me pareceram pertinentes ao momento. Espero que agrade aos possíveis leitores. Ah! Sim! O simpático porquinho da foto acima não está gripado, claro! Ele é transgênico! Chama-se P33… Retirei do site da Ciência Hoje On Line… Mas isso é tema de outro post…

domingo, 26 de abril de 2009

Portal do Professor

Resolvi falar de algo que não deve ser novidade para muitos educadores, mas pode ser que alguns ainda não conheçam. Eu, pelo menos, “encontrei” este portal há poucas semanas e achei bem interessante!

Portal do ProfessorO MEC tem um portal (foto ao lado) destinado exclusivamente para professores da Educação Básica. Com artigos pedagógicos, experimentos para aulas de Ciências (Ensino Fundamental e Médio), materiais de áudio e vídeo, espaço para incluir e divulgar materiais didáticos próprios… Lá no portal ainda podem ser encontrados inúmeros sites relacionados à Educação Básica.

Acho importante que no site do Ministério da Educação tenha este tipo de suporte para o docente, centralize informações para o dia-a-dia escolar, que podem ser de extrema relevância! Mais importante do que isso, talvez, seja o fato de os professores terem a iniciativa de buscar e conhecer estes espaços de divulgação e troca de materiais didáticos e pedagógicos. Professor é alguém que deve ter essa “mania” de escarafunchar coisas mesmo, catar materiais, ter olho clínico para procurar e perceber oportunidades de usar as coisas para seu trabalho! Nesse sentido, o portal é bem legal, pois possibilita uma interação com outros trabalhos de colegas que vivem realidades semelhantes, com experimentos e práticas didáticas viáveis para inúmeras disciplinas e conteúdos, sem aqueles tão condenáveis academicismos (que todo mundo tanto reclama, que muitos falam e produzem sobre a escola sem viver lá dentro, pois então, vá, visite, participe e divulgue o seu material! Permita-se ter seu trabalho utilizado por outros!).

terça-feira, 31 de março de 2009

Sobre leituras e leitores

Hoje eu estava preparando minha aula, para a disciplina de Instrumentação para o Ensino de Ciências e Biologia, sobre a importância da leitura e escrita para estudantes de Ensino Médio. Mesmo sendo uma formadora de professores do campo da Educação em Ciências, penso que o aprendizado da leitura, em um sentido amplo, é demasiadamente importante para se deixar a cargo de somente uma disciplina (o Português, ou Literatura). Cada professor deveria se envolver com esse processo de leitura e interpretação (de textos, da vida, do mundo…). Recentemente comprei um livro de professores da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (FACED/UFRGS) que trata do assunto. Ao deter-me no artigo que fala, especificamente, sobre a leitura no ensino de Biologia (Ensino Médio), acabei por prender minha atenção em um parágrafo específico, em que a autora (Kindel, 2008) discute, a partir de um trecho de livro didático, como é preciso que nossos estudantes entrem em contato com a linguagem das Ciências Biológicas (e da Química também) para entender do que falamos na sala de aula, uma vez que a Biologia possui códigos e signos próprios, desconhecidos das pessoas em geral. O exemplo usado por Kindel, extraído do livro didático, possuía palavras que, por si só, não necessariamente possuíam significado em se tratando de um público leigo em relação ao assunto, tais como poliidroxialdeídos, poliidroxicetonas, glicídios, hidratos de carbono, etc. Kindel (2008, p.92-93), a partir desses termos, interroga

Quais habilidades seu/sua aluno/a terá que apresentar para saber ler, interpretar, decodificar, para poder usar os conhecimentos acima descritos? (...) Se queremos realmente ensinar aos/às nossos/as alunos/as sobre os glicídios e sobre a sua interferência na saúde das pessoas – especialmente os acúcares –, teremos que primeiro ensiná-los a ler!” (Kindel, 2008, p.92-93) [obs: o texto do livro didático tratava sobre glicídios]

Mas… O que significa “Ensinar a ler?”

Zaratustra, o mestre protagonista do livro Assim Falou Zaratustra (Nietzsche), vai afirmar a importância de nos tornarmos independente dos ensinamentos recebidos, como discípulos devemos lutar pela autonomia, pelas nossas idéias, nas palavras dele: “Paga-se mal a um mestre, quando se continua sempre a ser apenas o aluno”. Com isso, o mestre nos aponta que não devemos permanecer seguidores daqueles que nos ensinam, não é isso que anseiam os educadores. Pelo contrário, ensinar é possibilitar caminhar sua própria história. Os discípulos que Zaratustra quer são aqueles que buscam seu trajeto, buscam-se a si mesmos.

Como produtores e divulgadores do conhecimento, nossa tarefa também não se mostra diferente. Tanto como professores, pesquisadores ou escritores, devemos procurar desenvolver nosso trabalho no sentido de propiciar sujeitos-alunos, sujeitos-leitores que tomem nossos dizeres como ponto de partida e não de ancoragem – o espaço que, sim, é seguro, mas sem capacidade de criação.

O autor Jorge Larrosa discute essa relação entre educação, os atos de ensinar e a leitura, a partir do filósofo Nietzsche, e defende que “ensinar a ler de outra forma é educar o homem por vir, o homem do futuro. Porém, ensinar a arte da leitura não é transmitir um método, um caminho a seguir, um conjunto de regras práticas mais ou menos gerais e obrigatórias a todos” (p.25). Nesse sentido, a aprendizagem se dá não através de conceitos e práticas/protocolos, prontos, acabados. Não existe aprendizagem fora do pensamento, da reflexão, ou seja, não existem modos de ensinar aos estudantes sem que se leve em consideração em que aquilo que falamos se relaciona com suas vidas. Não para ditar regras, costumes e valores arraigados de nossa ciência e nossa sociedade, mas para que possamos oportunizar novas maneiras de olhar e agir – consigo e com a sociedade. Assim, Larrosa dirá ainda que “a tarefa de formar um leitor é multiplicar suas perspectivas, abrir seus ouvidos, apurar seu olfato, educar seu gosto, sensibilizar seu tato, dar-lhe tempo, formar um caráter livre e intrépido... e fazer da leitura uma aventura. O essencial não é ter um método para ler bem, mas saber ler, isso é: saber rir, saber dançar e saber jogar, saber interiorizar-se jovialmente por territórios inexplorados, saber produzir sentidos novos, múltiplos”. Finalizando, Larrosa dirá que “todos os livros estão para serem lidos e suas leituras possíveis são múltiplas e infinitas; o mundo está para ser lido de outras formas; nós mesmos ainda não fomos lidos” (Larrosa, 2002, p.26-27).

Nesse sentido, trabalhar a leitura é, simultaneamente, trabalhar nós mesmos, olhar e sentir o que lemos como algo que fará parte de nós, mas, para tanto, temos que modificar o lido, transformar o lido em algo novo, inédito. Ler implica em corromper, decompor o lido, para constituir-se – o texto e a si mesmo – novamente. Assim, ensinar a ler (e escrever), mais do que juntar letras e palavras, formar orações, é formar sujeitos – nós e outros…

Referências

Kindel, Eunice. Do Aquecimento Global às Células-Tronco: sabendo ler e escrever a Biologia do Século XXI. In: Ler e Escrever: Compromisso no ensino médio. Porto Alegre: Ed.UFRGS, 2008.

Larrosa, Jorge. Nietzsche e a Educação. Belo Horizonte: Autêntica, 2002.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Histórias das Ciências

Este post de hoje é só para dizer que estou, com mais dois colegas blogueiros, inaugurando um blog de Histórias das Ciências. Esperamos conseguir dar conta dessa nova empreitada e contamos com o apoio e leitura de todos os colegas e amigos que já acompanham o nosso trabalho e os blogs pessoais de cada um!

Gostou da idéia? Quer saber mais? Então é só clicar e passear nas histórias, idéias e devaneios de estudantes e entusiastas das ciências!!! Entre e fique a vontade

sexta-feira, 13 de março de 2009

Uma soneca para aprender...

A gente acorda cedo, vai para a aula, presta atenção em um monte de coisas ditas e escritas, faz trabalho, anota tudo no caderno, faz prova... Ufa! Cansa, né? O nosso cérebro realmente diminui a eficiência após um longo período de atividade, ainda mais se ela for repetitiva. Temos um tempo de atenção que nosso cérebro age de modo eficiente, após cerca de 90 minutos, começamos a apresentar alguns sinais de fadiga. A pesquisadora Suzana Herculano-Houzel explica que isso acontece pelo acúmulo de uma substância chamada adenosina que funciona como um "freio", para diminuirmos a intensidade de alguma tarefa. A neurocientista afirma que é necessário, ao sentirmos o csono3ansaço, mudarmos as atividades, ou mesmo descansarmos um pouco... Pois essa fadiga é específica para a atividade que estamos executando. Por isso os intervalos são importantes, de tempos em tempos, para nosso enlouquecido cotidiano! Um bom café, uma caminhada, ajudam, desviam nossa atenção e nos fazem descansar um pouco...

Mas e depois de uma longa manhã de trabalho? Será que só o café é suficiente? Após estudarmos um turno inteiro, nada além de uma atividade diferente ajuda? Pois alguns estudos apontam que uma atividade específica é bem importante para o aprendizado e para a memória: o sono!

Não é de hoje que se sabe a importância do sono para a aprendizagem e memorização. No entanto, algumas pesquisas mais recentes apontam que não apenas o sono profundo, ou um longo período de descanso, é necessário. Aquele soninho bom antes, ou depois do almoço, a famosa soneca também tem sido apontada como um evento importante para a consolidação das memórias declarativas (memórias ligadas a fatos, eventos e conhecimento) e procedurais (ligadas a procedimentos: andar de bicicleta, passar café, etc.). Isto quer dizer que é no período em que estamosdormir-garf_thumb[2] dormindo que armazenamos o que aprendemos ou vivenciamos.

A novidade destes estudos é que mesmo curtos períodos de sono são eficientes para a memória! Na Scientific American Brasil foi publicado no mês de janeiro uma matéria que fala, brevemente, sobre o assunto. Pelo menos agora temos um bom argumento aquela espreguiçada boa após o almoço, de preferência em uma rede, com uma brisa suave... Não é mais vadiagem, agora é científico! Se te questionarem, pode dizer: estou aprendendo e potencializando minha memória!!! Não me atrapalhe!

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

A história de João das Alfaces...

Recebi hoje, pelo Boletim Ciência Hoje, a referência ao curta-metragem "A história de João das Alfaces", produzido pela Embrapa Agrobiologia (Seropédica/RJ). O filme trata da história de João, produtor de alfaces, que tem sua plantação atacadas por formigas, larvas e pulgões. Sem conhecer técnicas alternativas de controle, nosso estimado protagonista tenta resolver o problema com agrotóxicos, sem o sucesso esperado.

A idéia do curta é difundir entre crianças e adolescentes que existem outras maneiras de obter resultados no controle de pragas agrícolas, além das questões dos efeitos desses produtos na saúde humana, debantendo ainda, a questão da educação rural (ou do campo, como alguns autores atuais tem tratado o tema).

Logo após ver a notícia no site da Ciência Hoje das Crianças, fui atrás de mais informações na Embrapa. Achei diversos materiais muito interessantes para trabalhar Educação em Ciências nas escolas, grande parte de pesquisadores da própria Embrapa o que, na minha opinião, denotam qualidade. Além da diversidade de livros, é relevante ressaltar o grande enfoque (em função do propósito da instituição, claro) na Educação do Campo.

Recentemente orientei um Trabalho de Conclusão de Curso na universidade em que trabalho, que versava sobre Educação em Ciências em uma escola rural. Tivemos uma enorme dificuldades para encontrar artigos e textos recentes acerca do tema. Em se tratando de Educação do campo, pouco se fala, estuda e pesquisa no Brasil. O que percebemos nesta pesquisa é que (na escola estudada) o grande enfoque do ensino de Ciências acaba sendo o livro didático. Ao olhar os cadernos das crianças (6ª série, ou 7º ano), vimos que estavam recheados de terminologias científicas (plantas criptógamas, fanerógamas, pteridófitas, etc.). Tais denominações estavam sendo estudadas por jovens de 12 anos de idade, que não sabiam dizer à pesquisadora (minha orientanda) se na disciplina de ciências estudavam seres vivos que eles conheciam... Os estudantes, conhecedores de palavras tão difíceis, não sabiam (e provavelmente não sabem até agora) que pisavam em fanerógamas todos os dias ao ir de suas casas até a porta da escola, nem que essas tais plantas nos servem de alimento, ou estão nas matas próximas às suas residências!

Ficamos chocadas com essa realidade vista nessa escola - muito embora não seja muito diferente de escolas da cidade, em termos de distância entre o conhecimento estudado e a vida cotidiana - como podemos tratar um assunto tão interessante como a Ciência - qualquer que seja a área - de modo a gerar um 'desconhecimento' desses? Como se os nomes bastassem em si?

Nesse sentido, vejo a iniciativa da Embrapa, e de outras instituições de pesquisa, de divulgar o conhecimento produzido de modo que leitores leigos consigam entender, aprender sobre Ciência, vinculando as questões sociais e culturais que nos cercam aos saberes científicos atuais, como de suma importância para o desenvolvimento de uma educação mais consciente, que aliena menos o estudante/cidadão. Ainda mais pensando nesse público específico: escolas, educadores e estudantes.

Mais uma vez bato na mesma tecla - não é possível que uma ciência tão interessante (e linda) como a Biologia seja resumida a uma lista interminável de nomes científicos a serem decorados para a prova no final do bimestre ou trimestre. Ciência é muito mais do que isso, e ensiná-la deveria ser tão fascinante como aprendê-la e enxergá-la em nosso cotidiano!

sábado, 24 de janeiro de 2009

O dia em que a Terra parou

Sim, o filme... Infelizmente (de verdade) aqui em minha cidade não há muitas escolhas em relação aos filmes que podemos assistir... O dia em que a Terra parou é aquele tipo de filme que se deve esperar chegar na tela quente - ou programa similar -, a dublagem e os cortes que a televisão sempre faz não mudarão em nada a qualidade (sic) do filme. É o tipo de situação em que se vai ao cinema pensando "vai ser ruim" e erramos: é péssimo!o dia que a terra parou

O filme é uma refilmagem, o original lançado em 1951 diz respeito à Guerra Fria, Klatu é um alienígena que vem ao nosso planeta para salvá-lo da guerra nuclear, é mal recebido e mal interpretado (em sua missão). Em 2008, Klaatu é o personagem de Keanu Reeves também vem para salvar a Terra, dessa vez de nós mesmos, pois somos um agente de destruição em massa, um efeito catastrófico à vida do planeta (mais um, dos tantos que nosso planeta já passou... O segundo causado por seres vivos, mas o primeiro que os seres vivos se autodenominam racionais e têm ciência da destruição). Klaatu novamente é mal recebido e mal interpretado (quanto às suas intenções e quanto à atuação no filme... Keanu Reeves mais uma vez mostra seu potencial para personagens apáticos e sem graça, talvez tenha sido uma boa escolha). Recebemos o alienígena a tiros, fazemos testes e mais testes, buscamos invocar a verdade através de exames e tecnologias "de ponta" norte-americanas (claro, os aliens foram parar lá e os tais se julgaram os únicos capazes de lidar com a coisa).

Bem, o que chama a atenção no filme não é (apenas) sua pretensa mensagem apocalíptica: o mundo está acabando e nós somos os culpados. Sim, é verdade. Os seres humanos, por seu estilo de vida, tem um efeito catastrófico no seu rico lar, está devastando tudo o que pode e não pode. Extinguimos uma série de espécies e outras tantas estão se encaminhando para isso. O que me deixou perplexa no filme é que algo que se pretende crítico (sim, eu entendi o filme como algo que quer sensibilizar os seus possíveis espectadores...) tem propagandas em demasia. Marcas para todos os lados. De computadores, carros e celulares a grande rede de fast food mundial... Ou isso era uma piada (uma contra-propaganda, parte da crítica), ou uma tentativa de vender produtos mesmo. De qualquer modo, frustrado. Todas as cenas em que marcas de produtos aparecem são forçadas, sem acrescentar em nada ao filme, como se fosse um intervalo comercial mesmo, se é uma propaganda, foi mal feita; se era uma crítica, não foi o suficiente para ser entendida assim...

Ora, uma crítica ao nosso modo de vida, que em grande parte é consequência de um consumo exacerbado, que tenta nos vender algo a cada 10 minutos não me parece inteligente.

Bom, como ficção científica é fraco, sem muito sentido e com as questões científicas em si pouco exploradas. Não basta ter elementos científicos para que a ficção dê certo. O único grande ponto a favor é a explicação de um alienígena com forma humana (ou com forma de vida como a que temos na Terra), talvez o primeiro filme que tenha se atentado a isso. Não bastou para aguentar o tranco da demasiada bobagem que viria a seguir.

Em relação aos usos que podem ser feitos desse filme (sim, é um blog de educação, cultura e ciência...) pode-se pensar exatamente no quanto essa crítica de ser humano é infundada quando não se olha para o próprio umbigo. Falar de ser humano como evento catastrófico estimulando consumo não é inteligente, pelo contrário, é desprezível. Criar uma situação para discutir isso em uma sala de aula talvez possa ser interessante e, juntamente com isso, tentar entender de que modo, efetivamente, podemos ter uma vida mais saudável (em todos os sentidos - articulando ser humano e suas interferências no ambiente), modificando hábitos em nossa casa, em nossa vida. É pouco? Talvez... Mas há de se começar em algum lugar, de algum modo. E, de quebra, podemos dar uma criticadinha de canto no que nos é apresentado no cinema, o que com adolescentes é sempre interessante de se fazer!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Casa de Bonecas & ensino de Ciências...

Casa ecológicaHoje vi no Ecoblog uma casinha de bonecas "ecológica". Linda... Com materiais não tóxicos, de madeira proveniente de silvicultura.

A casa, produzida pela Smart Gear é repleta de conceitos que emergem em nossa sociedade hoje: de uma vida mais saudável, buscando minimizar os gastos energéticos não renováveis e o desperdício de água, além de reciclagem de lixo. Como é possível observar na imagem ao lado, a casa tem painéis solares e turbina de energia eólica, para produção de energia; também possui separação de lixo e captação de água da chuva!

Esses brinquedos de madeira nos remetem à infância (a minha, pelo menos). Eu sempre quis uma casa de bonecas, mas não era uma das coisas mais baratas de se obter, quando eu era criança. Lembro-me de namorar demoradamente as casas que estavam em exposição nas vitrines de algumas lojas de Porto Alegre (se não me falha a memória, a loja Catavento ou Brinca-tudo, próximo ao Hospital de Clínicas) e no Brique-da-redenção (tradicional feira de artesanato, que acontece aos domingos na capital gaúcha). As casas eram enormes, cheias de cômodos e os bonecos eram de pano (família tradicional nuclear, claro... Com direito a papai e vovô de bigodes, um casal de filhos e um cachorro). Ainda hoje é possível, na feira de artesanato, encontrar essas casas de bonecas (sim, eu confesso, nas minhas idas à capital dos pampas eu ainda as olho com uma certa nostalgia...).

Esses brinquedos artesanais ainda me parecem facinantes, frente àqueles tecnológicos que encontramos nas lojas. Ora, esses brinquedos atuais não precisam mais de crianças: aprenderam a brincar sozinhos!!! E sempre fico pasma ao ver o encanto das crianças quando deparam-se com brinquedos artesanais, tais artefatos ainda entusiasma as crianças, as convidam para brincar, desenvolver a imaginação, viver um outro mundo - que parece só ser possível nessa fase...

Falar que brincadeira é uma prática cultural de aprendizagem parece senso comum, mas ao ver uma casa de bonecas como essa percebemos que isso as vezes parece novidade e, mais do que isso, denuncia o quanto temos como princípio que brinquedos educativos são monótonos (sim, eu, pelo menos, me deparei com o meu espanto ao achar linda e divertida a tal casa!!!). O preço até não é exorbitante (129 dólares), se compararmos com casas da Barbie e outros produtos semelhantes e, talvez, seja mais bonita e divertida.

Mas o que eu queria chamar a atenção é como podemos, as vezes com materiais simples, demonstrar conceitos importantes em nossos dias, que unem ciência e cotidiano, que podem ser levados às salas de aula, por exemplo (não a casa, certamente com o salário de professor, não é acessível uma aula didática com um artefato que custa mais de 300 reais...), mas a idéia - talvez a possibilidade de construção de maquetes com esses conceitos, quem sabe.

O que o brinquedo me fez pensar é como esses conceitos ecológicos estão longe de nossa vida, ao ponto de nos surpreendermos a produção de algo que, em si, apresenta modos de vida alternativos (a própria idéia de que isso é alternativo, ainda, deveria nos fazer pensar). Quem vive em centros urbanos sabe bem que estamos longe de ter à disposição casas com esse modelo de construção, ainda mais para quem mora no interior do país. Por outro lado, mesmo que não tenhamos acesso a materiais e alternativas de casas mais "ecológicas", a noção em si de que ensinar ciências e ecologia não vincula-se com urbanismo e moradia nas cidades é preocupante. Na cidade onde moro é notável a preocupação das pessoas em cortar árvores para construir muros e ter sombra! Ou então (essa é melhor ainda), "concretar" todo o piso, pois fica mais fácil de limpar. A questão é que moro em um local demasiadamente quente. A prática contínua de cortar árvores e ter concreto e asfalto por todos os lados torna a cidade ainda mais quente e menos úmida e, portanto, mais desagradável de se (sobre)viver.

A casa de bonecas nos chama (ou eu resolvi pensar isso a partir da casa de bonecas) para a necessidade de colocarmos em dia a idéia de que ciência (e o ensino da mesma) precisa estar presente na vida - na nossa vida -, que ecologia e biologia não são ciências que falam só de mato, planta e bicho, que ambiente é, também, o lugar que vivemos. Será mesmo que a ciência e o ensino de ciências não mereciam uma atenção nesse sentido?

Idéias nostálgicas que se articularam com minha insônia e inquietante personalidade de professora-pensadora, talvez... Mas não consegui conceber que algo que me pareceu tão divertido passasse em branco e não fosse discutido e compartilhado com possíveis (?) leitores...

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

2009: felicitações um pouco diferentes...

Ao invés de (ou além de) desejar a todos um feliz ano novo, cheio de saúde e paz (coisa que é importante e realmente espero que todos tenham/consigam neste ano), resolvi falar de outra coisa (afinal, isto é um blog de educação

Nesta semana entre Natal e Ano Novo, de extremo ócio (produtivo, claro) descobri um programa de televisão muitíssimo interessante, que está na contramão do que temos visto nesse aparelhinho que é, nos dias de hoje, algo impensável de não se ter em nossas residências...dialogos impertinentes

O programa em questão é o "Diálogos Impertinentes" e passa no SESCTV, tem dois mediadores - Mario Sérgio Costella, professor da PUC/SP e Oscar Pilagallo, jornalista colaborador da Folha de São Paulo - e dois convidados especiais, encarregados de debater (ou dialogar) acerca de um tema previamente escolhido (a agenda está disponível no site do SESCTV). Vi dois programas, um sobre ceticismo e outro sobre música, as discussões foram sensacionais, realizadas de modo simples, direto, mas sem superficialidade - algo comum nos dias de hoje - pelo contrário, nos dois programas os convidados trouxeram subsídios importantes para pensar, vinculando o tema com os mais diversos assuntos e manifestações culturais de nosso tempo. Sem denuncismos baratos, nem discursos de conspirações malucos, os debates de extrema inteligência e sem arrogância acadêmica (também comum nos dias de hoje) foram mediados com muita habilidade, simpatia e uma ótima dose de bom humor.

A única crítica não é direcionada a este programa, mas ao modo como o acesso a programações como esta é precário em nosso país. Infelizmente a SESCTV não é disponibilizada na TV aberta, reduzindo o público que pode ver esse debate de idéias. Isso mostra mais uma vez, infelizmente, a valorização que se dá para o conhecimento em nosso país...

Para iniciar o ano bem, valorizando as férias, principalmente para aqueles que, como eu, não forem viajar: vale a pena - naqueles momentos da tarde, de muita preguiça - ao invés de sessão da tarde, já sabem... Diálogos Impertinentes!!!

É isso, um feliz 2009 para todos, um bom início de ano, com o desejo de um pouco mais de conhecimento e ócio produtivo a todos!!!