domingo, 26 de julho de 2009

Amigos meus…

[Aviso: Há quem defenda que cultura não mais pode ser entendida apenas como “o que de melhor é produzido, nas artes, pelo ser humano”, mas sim como prática vivenciada no cotidiano… Assim, se é necessário justificar – apenas para leitores eventuais que se identificam com o tema do blog e estão pensando “que raios está escrito aqui!”, este post é pessoal, mas fala também de cultura, pois trata de vivências e experiências cotidianas – minhas com outras pessoas…]

Estas duas semanas foram intensas, bastante trabalho, planejamentos, reviravoltas. Apesar do tempo passando com pressa, das tarefas por fazer, dos compromissos batendo na porta, existia algo mais importante para ser vivido: um tempo com amigos que estavam de partida.

Entre comentários estranhos nos corredores - “é verdade que vocês perderam a amiga?” – e conflitos pessoais por não desejar a distância inevitável, mora a esperança de uma nova vida, mais feliz com o caminho escolhido por esses dois amigos – que, não!, não perdemos!, apenas passamos a morar algumas milhas mais distantes. Em um mundo dito pós-moderno, em que tempo e espaço parecem cada vez menores, e cada vez mais temos tecnologias para nos comunicarmos, isso parece ser vivido de modo mais simples – mas não menos doloroso. Quem mudou-se para este confim que vivemos agora, sabe que é fácil se comunicar, mas não se abraça fotos e o beijo mandado por telefone ou figurinhas em programas de computador não são sentidos da mesma maneira que no dia-a-dia.

Apesar de planejarmos a despedida repetidas vezes, na sexta à noite cada amigo próximo foi marcando, como ao acaso, passar em nossa casa – onde nossos amigos estavam hospedados nesta semana – para um abraço antes da partida… Eis que surge a ideia de um café da manhã, claro! Afinal, ninguém pode pegar estrada de barriga vazia!!! Foi animado, rimos com as “piadas internas” – aquelas que somente quem vive junto entende e acha graça – e choramos com elas também, ao nos darmos conta de como estes três anos juntos fizeram de nós um grupo raro, de gente que se gosta e se respeita, que é feliz junto, se fez família no coração – aquela família que a gente escolhe, a dedo, e é obrigado a conviver por amar e não saber viver sem. Bem… teremos que aprender!

Tirei uma foto, de nossa despedida, minutos antes deles saírem.despedida Todos com uma cara meio amassada, vermelha de chorar, ainda choraríamos mais, antes de um abraço coletivo na saída. O dia ainda nos reservou surpresas, nossos MMs partiram, deixaram nossa vida um pouco mais triste, mas em uma manhã mágica, excepcionalmente fria, para lembrar o destino da dupla, celebramos a amizade, choramos a distância e confortamos os corações, na certeza de termos mais um lugar para conhecer e visitar.

Para eles (e para nós), dedico a canção

Amigos meus

Amigos meus, está chegando a hora
Em que a tristeza aproveita pra entrar
E todos nós vamos ter que ir embora
Pra vida lá fora continuar

Tem sempre aquele
Que toma mais uma no bar
Tem sempre um outro
Que vai direitinho pro lar

Mas tem também
Uma sala que está vazia
Sem luz, sem amor, sombria
Prontinha pro show voltar

E em novo dia
A gente ver novamente
A sala se encher de gente
Pra gente comemorar

(Vinícius de Moraes e Toquinho)

3 comentários:

Bessa disse...

Adorei, Ana. Sensível, leve e cheio de esperança.

Luiz Fernando disse...

Ana, você conseguiu expressar em suas palavras tudo aquilo que sentimos, nossas emoções mais profundas e verdadeiras, e de fato, reafirmar, de forma única, a saudade que fica de nossos amigos maravilhosos, que agora estão mais distantes.

Anônimo disse...

Sim, foram várias festas de despedidas. E o melhor! nós rimos muito, como sempre. Apenas a última hora foi reservada para o choro. Sem contar nas champagnes estouradas para cada conquistaa que culminou na nossa mudança. Afinal, não tinhamos consciência que estas conquistas nos afastariam? Acredito que somos um grupo que gosta de rir de tudo (até das piadas sem graça do Marco!). E será sempre assim, mesmo a distância.
M&Ms